Manfrinópolis - Sudoeste do Paraná     
 

Manfrinópolis   |  Reconstrução   |   segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A reconstrução de Manfrinópolis depois do desastre do dia 9

Por Rubens Anater

Já faz duas semanas que Manfrinópolis foi atingida pela maior catástrofe da história do município. Uma tragédia da qual ainda não se recuperou totalmente. Os lugares mais afetados pela enxurrada do dia 9 ostentam um cenário de desolação, com detritos, lama e rostos tristes que levam na memória o horror da tragédia.

Mas ainda que seja difícil superar a lembrança daquele fim de tarde de quarta-­feira, em que os dois rios que atravessam a cidade transbordaram, o momento não é de lamentação - é de trabalho. "Desde a noite da catástrofe, nós não paramos", afirma o coordenador da Defesa Civil do município, Vilberto Guzzi, que também é secretário de Administração e Finanças.

Segundo Beto, cerca de 80% da cidade foi atingida pela enxurrada, 15 casas foram totalmente destruídas e outras tantas foram danificadas parcialmente, inclusive boa parte das construções do poder público municipal - de maneira tão prejudicial que o prefeito Cláudio Gubert (PP) chegou a decretar estado de calamidade pública.

E no meio dessa destruição o trabalho tem sido grande. De acordo com Guzzi, desde o início a Prefeitura organizou abrigos e alimentação para as pessoas que perderam tudo na enxurrada. Depois disso, encaminhou doações e tem trabalhado na limpeza das vias públicas com todo o maquinário e buscado restabelecer a normalidade na cidade.

Mas, para conseguir recuperar os danos causados pelo desastre, o município vai precisar de muito dinheiro.

"A maior dificuldade da reconstituição vai ser o lado financeiro", afirma Guzzi. Nesse sentido, dois representantes da Defesa Civil do Paraná - o sargento Rogério Marcos de Souza Hammes e o cabo Ederaldo Kuller - estiveram em Manfrinópolis na terça-feira, 22, para ajudar na elaboração do Plano Detalhado de Resposta, um primeiro documento a ser encaminhado para o governo federal em busca de recursos.

Neste momento, segundo o sargento Hammes, "a solicitação é de combustível para o maquinário que está fazendo obras no município, principalmente para liberação de trafegabilidade. Agora o governo federal analisa esse plano e encaminha uma resposta diretamente ao município, e essa reposta deve vir em breve".

A verba do governo vai facilitar a recuperação, mas, enquanto ela não vem, o município não para. O maquinário continua recolhendo entulhos e Manfrinópolis faz de tudo para tentar voltar à normalidade. "A gente pede paciência e tranquilidade, porque os órgãos já estão ajudando a gente e o apoio não tá faltando. Temos que trabalhar e reconstruir tudo de novo", relata o prefeito Gubert.

A Caixa Econômica Federal já garantiu que vai liberar o dinheiro dos Fundos de Garantia dos atingidos em, no máximo, 30 dias. O município também continua pedindo doação de material de construção para as casas destruídas e danificadas. Pessoas que quiserem contribuir com auxílio financeiro podem depositar na conta do Fundo Municipal de Assistência Social, no Banco do Brasil, agência 616-5, Conta 64034-4.

A causa da tragédia

Mesmo depois dessas duas semanas de reconstrução, a maioria da população continua sem entender como foi possível um volume tão grande de água invadir a cidade de maneira tão repentina e causar tamanha destruição.

De acordo com o cabo Ederaldo Kuller, da Defesa Civil do Paraná, a catástrofe realmente é algo incomum, mas não impossível. Em primeiro lugar, por causa do fenômeno El Niño, que tem feito deste o verão mais chuvoso do Paraná nos últimos 50 anos.

Kuller, que estuda Geologia, explica que "ocorreu um evento de chuva com intensidade muito grande em um curto período de tempo e a geografia do município, em um vale, concentra a água do rio e dá a ele muita velocidade".

A partir do levantamento de informações de outros alagamentos menores que já aconteceram no município, propiciados pela geografia, Kuller acrescenta que os pontos de Manfrinópolis próximos aos rios se configuram como locais de risco.

Por isso, o cabo da Defesa Civil afirma que voltará ao município e para outros locais da região em janeiro, junto com outros geólogos, para estudar a geografia, o tipo de solo e os índices de chuvas, alagamentos, deslizamentos e outras situações. "A partir disso pretendemos, de início, estabelecer parâmetros para podermos emitir alertas quando houver risco de eventos assim."

Outros estudos também estão sendo realizados e Manfrinópolis ainda deve passar por processos para minimizar a intensidade de tragédias como a do dia 9 e reduzir o risco desses locais. "Nós estamos trabalhando pra ver e poder acertar o que fazer com nosso rio, se vamos canalizar, limpar, ampliar as pontes, vamos fazer alguma coisa, porque se acontecer de novo um negócio assim, morrem as esperanças", afirma Cláudio.

No entanto, esse tipo de trabalho também esbarra no problema financeiro. "O município é pequeno e, em si, não tem condições de fazer algo assim se não tiver apoio do governo. Mas também não podemos deixar que famílias fiquem em risco, então temos que corrigir esse erro para dar tranquilidade para quem mora aqui", conclui o prefeito.

Danos em Salgado Filho

As fortes chuvas que atingiram Manfrinópolis no dia 9 também afetaram outros municípios da região. Salgado Filho, o vizinho mais próximo, foi um deles.

Segundo o prefeito Beto Arisi (PMDB), foram poucas residências atingidas e nenhuma delas sofreu problemas muito graves. No entanto, a agricultura teve grandes danos e os prejuízos em estradas, pontes e bueiros chega perto de R$ 1 milhão.

O prefeito ainda conta que o município já está realizando uma operação de tapa-buracos com recursos próprios e que toda a malha rodoviária já está liberada para o transporte. Mas a situação é provisória, porque as estradas precisam de reparos mais completos, então a administração também busca recursos estaduais e federais para refazer os pontos mais afetados. "Este foi um ano bem difícil para as prefeituras, e agora ficou mais complicado ainda. Mas não adianta ficar se lamentando, temos que trabalhar", completa o prefeito Beto Arisi.

Fonte: Jornal de Beltrão/ Rubens Anater

 



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